Rubens Lima

Um poeta que é apaixonado pelo que é e pelo que faz.

Textos


        MEMÓRIAS DO CÁRCERE

 

 

 

 

 

 

 

 

Memórias do cárcere

Comigo doravante andarão.
Há dores que o tempo não apaga

Das páginas do coração.

 

 

Erra muito quem condena

Sem hesitar...
Erra mais ainda quem hesita

Em perdoar.

 

 

Perdoar é tirar as mãos da ferida,

Sem a magoar,
Deixando que o tempo a console,

Para que ela possa sarar.

 

 

A prisão não está na grade,

Nem a liberdade está na rua...
Alegria não rima com maldade;

Há gente vestida andando nua.

 

O promotor de injustiça

Certamente injusto é;
No tribunal do júri, enfeitiça;

Na condenação, deposita sua fé.

 

 

Mesmo sendo alguém inocente,

O promotor promoverá
Uma condenação indecente,

Que no tribunal do júri encenará.

 

 

A liberdade é um tesouro

Que um igual vai lhe tirar...
Tratando-a como ouro de tolo,

Tem prazer em condenar.

 

 

Atrás das grades,

A saudade vem em silêncio me abraçar;
Traz o perfume da liberdade

E os rostos que desejo beijar.

 

 

Cada visita é tão pequena

Para tamanho amor guardar...
Quando termina, fica a pena

Ao ver quem amamos se afastar.

 

 

Podem prender os meus passos,

Mas não o que aprendi a sonhar;
Meu pensamento rompe os laços

Que tentam me acorrentar.

 

 

Não quero que a minha ferida

Se torne motivo de rancor;
Quero reencontrar minha vida

Sem dar à vingança o meu amor.

 

 

Se a noite parece demorada,

Ainda espero o amanhecer;
A verdade, mesmo silenciada,

Não perde o direito de viver.

Rubens Lima
Enviado por Rubens Lima em 02/11/2026
Alterado em 02/11/2026


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