

MEMÓRIAS DO CÁRCERE
Memórias do cárcere Comigo doravante andarão. Das páginas do coração.
Erra muito quem condena Sem hesitar... Em perdoar.
Perdoar é tirar as mãos da ferida, Sem a magoar, Para que ela possa sarar.
A prisão não está na grade, Nem a liberdade está na rua... Há gente vestida andando nua.
O promotor de injustiça Certamente injusto é; Na condenação, deposita sua fé.
Mesmo sendo alguém inocente, O promotor promoverá Que no tribunal do júri encenará.
A liberdade é um tesouro Que um igual vai lhe tirar... Tem prazer em condenar.
Atrás das grades, A saudade vem em silêncio me abraçar; E os rostos que desejo beijar.
Cada visita é tão pequena Para tamanho amor guardar... Ao ver quem amamos se afastar.
Podem prender os meus passos, Mas não o que aprendi a sonhar; Que tentam me acorrentar.
Não quero que a minha ferida Se torne motivo de rancor; Sem dar à vingança o meu amor.
Se a noite parece demorada, Ainda espero o amanhecer; Não perde o direito de viver. Rubens Lima
Enviado por Rubens Lima em 02/11/2026
Alterado em 02/11/2026 Comentários
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